terça-feira, 26 de junho de 2012

E DISSE ABBA PAI

 
"E EIS QUE O VÉU DO TEMPLO SE RASGOU DE ALTO A BAIXO". (MATEUS, 27:51)


No Evangelho segundo Mateus, deparamos com a informação que no momento que o Mestre expirou no alto do Calvário o véu do templo se rasgou de alto a baixo; e tremeu a terra; e fenderam-se as pedras. E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados. E saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, apareceram a muitos. Revelar vem do latim revelare, cuja raiz, véu, significa literalmente sair de sob o véu, e, figuradamente, dar a conhecer, descobrir uma coisa oculta ou até então desconhecida.

O fato de rasgar-se o véu do templo, indica que naquele momento deixava de existir um monopólio, verdades até então ocultas passaram a ser manifestas ao povo. O véu do templo ocultava uma verdade até então omissa, pois os ensinamentos antigos, em vigência até então, mantinham inacessível ao povo um dos aspectos mais importantes da verdade que o mundo deveria conhecer: a imortalidade da alma.

O Velho Testamento procurou acenar aos homens com promessas de ordem profundamente material; a Terra de Canaã era a cogitação primária dos antigos israelitas. A aspiração do povo gravitava em torno da formação e posse de uma nação aguerrida, altaneira, orgulhosa, que viesse
a dominar todos os demais povos, outorgando-se assim, ao chamado povo eleito de Deus, um lugar de proeminência.

Nada se falava e muito pouco se conhecia sobre a vida futura, sobre o além-túmulo. O próprio Jeová, deidade tribal dos israelitas, norteava Moisés e os seus seguidores rumo a uma fabulosa Terra Prometida, na qual a descendência de Abraão se multiplicaria como a areia do mar: "E te darei a ti, e à tua semente depois de ti, a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão." (Gênesis, 17:8)

Todos os ensinamentos religiosos pertinentes ao povo hebreu estavam na arca do Templo, e apenas os escribas podiam dar-lhes a interpretação que melhor conviesse aos interesses da religião predominante, entretanto, Jesus Cristo viera para fazer com que a Humanidade pudesse descortinar novos horizontes, possibilitando-lhe o conhecimento de um Deus diferente e norteando seu rumo na direção das coisas do Espírito.

Como decorrência, no exato momento em que Jesus dava por consumada a sua missão terrena, o véu do templo se rasgou de alto a baixo, propiciando às gerações futuras a antevisão majestosa de uma nova revelação. A Terra foi abalada pelo advento de uma Verdade Nova, fenderam-se assim as pedras dos dogmas e do obscurantismo. Encerrava-se o ciclo monopolista de uma religião que se havia petrificado, e a nova Doutrina trazida pelo Ungido de Deus, ali estava ao alcance de todos, traçando uma linha divisória entre o velho conceito e os conceitos libertadores dos Evangelhos, separando, assim, duas épocas.

Os Espíritos de grandes missionários que já haviam habitado a Terra apareceram a muitos, confirmando que o túmulo não é o fim, que a alma imortal subsiste a tudo, situando bem alto a lei da imortalidade da alma.

A verdade tem de ser o apanágio de qualquer revelação, pois, se esta vier a ser desmentida pelos fatos deixa de ser revelação. Tudo aquilo que a voragem do tempo destruir não pode ser de cunho divino, mas trata-se de mera concepção humana. Muita coisa que era considerada verdade inconteste há alguns séculos, hoje não passa de grotesca mentira.
Muitos fatos que foram apregoados como revelações do Espírito Santo estão atualmente enquadrados no rol das coisas absoletas e distanciadas da verdade. Antevendo que a revelação que viera trazer seria deturpada no decorrer dos séculos, e como decorrência novos dogmas seriam criados, o Mestre prometeu que enviaria o Espírito de Verdade, o Parácleto, para restabelecer em seus devidos lugares tudo aquilo que ele ensinou.

No século passado, quando o materialismo parecia querer avassalar o mundo, e Emerson afirmava solenemente: Nunca mais do que hoje se faz sentir a necessidade de uma nova revelação, Deus fez com que fosse suscitado entre nós, um missionário que codificou uma nova Doutrina, profundamente alicerçada nos Evangelhos, a fim de restabelecer, em seus devidos lugares, os ensinamentos altamente consoladores que nos foram legados por Jesus Cristo.

Se a segunda revelação, trazida pelo Cristo, revogou tudo aquilo que era contraditório e transitório na Primeira revelação trazida por Moisés, a terceira revelação, corporificada no Espiritismo, vem novamente fender as
pedras dos dogmas e fazer tremer a terra onde estão fundamentadas as religiões que se igrejificaram e não têm mais o potencial necessário para projetar a Humanidade rumo à sua elevada destinação espiritual.

Mais uma vez, o véu se rasga de alto a baixo revelando ao mundo uma mensagem imorredoura de paz e consolação, perfeitamente enquadrada nos preceitos exarados pelo Meigo Rabi da Galiléia:
— Corroborando os ensinamentos ministrados a Nicodemos em torno das vidas sucessivas;
— Elucidando as palavras do Cristo sobre as muitas moradas existentes na Casa do Pai;
— Demonstrando, por meio da Parábola do Filho Pródigo, a inocuidade da teoria das penas eternas;
— Revelando, pela Parábola da Ovelha Perdida, que todos são filhos de Deus, e que o Pai não quer a morte do ímpio, mas que ele se redima e viva, conforme asseverou o Profeta.